MED: por que dizer que “Pix não tem chargeback” deixou de ser verdade

RiscoAtualizado em 19 de agosto de 20267 min de leitura

A frase estava certa no sentido literal: Pix não tem chargeback, porque chargeback é regra de bandeira de cartão. Só que o Pix ganhou um mecanismo próprio de devolução — o MED — que faz o que o vendedor teme no chargeback: tira dinheiro de uma conta que já recebeu.

O MED não é uma versão do chargeback. É outra coisa, com outro gatilho.

Chargeback nasce de uma contestação comercial ou de fraude no cartão. O MED nasce de uma notificação de golpe ou fraude registrada no banco de quem pagou, e corre dentro do arranjo do Pix, no Banco Central.

Como funciona

Quem foi vítima de um golpe avisa o próprio banco. O banco registra a ocorrência e aciona o mecanismo: o valor é bloqueado na conta que recebeu, e a análise decide se ele volta para o pagador. A devolução pode ser total ou parcial, e pode acontecer em mais de uma parcela até cobrir o valor.

Existe também a devolução por iniciativa de quem recebeu: dentro de 90 dias da transação original, qualquer pessoa pode devolver, por conta própria, um valor que caiu na conta dela. Nesse caso não há disputa nenhuma — é você decidindo devolver.

Regras do arranjo do Pix, publicadas pelo Banco Central no guia de implementação do MED.

Isso alcança quem vende curso?

Na imensa maioria das vendas, não. O MED foi desenhado para golpe e fraude — não para arrependimento de compra nem para “não gostei do produto”. Uma venda legítima, com entrega feita, não é o alvo do mecanismo.

O caso que alcança o produtor é outro: o comprador pagou com dinheiro de golpe. Alguém foi enganado, o valor entrou na sua conta como pagamento de um curso, e a vítima registrou a ocorrência. Aí o bloqueio chega até você, mesmo tendo entregue o produto.

É raro, mas é exatamente o tipo de coisa que ninguém avisa antes de acontecer — e a defesa é a mesma do chargeback: registro de que a venda existiu e de que a entrega aconteceu.

Pix, boleto e cartão lado a lado

MeioPode voltar depois de creditado?Por qual caminho
CartãoSimChargeback, julgado pela bandeira
PixSim, em fraude e golpeMED, dentro do arranjo do Banco Central
BoletoNão, uma vez compensadoDevolução só por iniciativa de quem recebeu

Por isso a leitura correta não é “Pix é imune”. É que o Pix tem um gatilho mais estreito: só fraude e golpe, e não insatisfação com a compra. Na prática, o volume de valor revertido em Pix é muito menor do que no cartão para quem vende infoproduto — mas não é zero.

O que fazer na prática

  • Guarde o rastro da venda. Identificação do pagador, horário, e-mail e a liberação do acesso. É o que sustenta a sua posição em qualquer um dos três caminhos da tabela acima.
  • Desconfie do padrão errado. Vários pagamentos altos, seguidos, de pagadores sem histórico, são o cenário clássico de dinheiro de golpe entrando.
  • Não trate Pix como dinheiro intocável. Ele é mais firme que cartão, não é definitivo por decreto.
  • Resolva reembolso no seu canal. Vale para Pix como vale para cartão: quem encontra o seu suporte não aciona o banco.

Como é na DigDin

No Pix, o dinheiro fica disponível já no dia útil seguinte à confirmação — e no cartão, em D+15 corridos. Os prazos estão em taxas e prazos, e a DigDin não retém um percentual das suas vendas como colchão de risco, como está em reserva de segurança.

Para entender o outro lado da moeda, o do cartão, veja chargeback em infoproduto.

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